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Canto dos sentidos

Atualizado: 2 de jan.


Isi Parente na Unsplash - mulher olhando pela janela de um trem

Posso ver dentro de uma bolha

e até flutuar sobre esta realidade,

quase tocá-la, me embeber de atmosfera

e nascer de repente alguém...

- Vejam! Nasceu esta mulher agora!

Agora!! – diriam estupefatos transeuntes.

Vem, vamos colher o mundo

libertar os condenados

achar os perdidos

consolar os aflitos

acolher os desterrados

alimentar os famintos

despojar os instintos de seu poder animal.

Vem - diriam, tomando minha mão.

E eu iria, e seria alguém.

Mas, como um balão que escapa

da mão do menino,

digo não,

flutuo para o alto céu dos pensamentos.

Vivo de razões, brigo por razões

luto e morro por razões,

e todos se afastam uns dos outros

por razões!

Sobe da terra uma neblina de arrazoados

zoados pelo ímpeto de medos límbicos

de tombar na solidão.

A razão me encobre, e cobre a todos

como uma mortalha.

Mas os corpos, ainda que tortos e desfigurados,

suplicam gestos de busca uns nos outros.

Braços que se estendam

mãos que segurem e afaguem,

olhos que brilhem, bocas que falem de paz

amor, perdão, línguas que não condenem,

palavras que não exijam nem apunhalem,

desejos que não aprisionem.

Ah! Corpos com seu calor, ardor e sabores de sua tez...

Quisera numa nudez translúcida

nascer tão somente um ser

que iluminado ilumina, unificado unifica

Transcendido, transcende, em lava ardente de amor.



shahin khalaji na Unsplash - mulher de costas

Canto dos sentidos

(Aqui pinto a mesma inspiração, em formato texto. Já percebi que algumas pessoas têm resistência em ler poemas, por formatar-se em pedaços que entrecortam o sentido linear, o que provoca maior atenção na forma do que no conteúdo, esvaziando o sentido, obscurecendo a alma da poesia)



Posso ver dentro de uma bolha e até flutuar sobre esta realidade, quase tocá-la, me embeber de atmosfera e nascer de repente alguém...

- Vejam! Nasceu esta mulher agora! Agora!! – diriam estupefatos transeuntes.

Vem, vamos colher o mundo libertar os condenados achar os perdidos consolar os aflitos acolher os desterrados alimentar os famintos despojar os instintos de seu poder animal. Vem! - diriam, tomando minha mão.

E eu iria, e seria alguém. Mas, como balão que escapa da mão de um menino, digo não, flutuo para o alto céu dos pensamentos. Vivo de razões, brigo por razões luto e morro por razões,

e todos se afastam uns dos outros por razões!

Sobe da terra uma neblina de arrazoados, zoados pelo ímpeto de medos límbicos de tombar na solidão. A razão me encobre, e cobre a todos como uma mortalha. Mas os corpos, ainda que tortos e desfigurados, suplicam gestos de busca uns nos outros. Braços que se estendam mãos que segurem e afaguem, olhos que brilhem, bocas que falem de paz amor, perdão, línguas que não condenem, palavras que não exijam nem apunhalem, desejos que não aprisionem. Ah! Corpos com seu calor, ardor e sabores de sua tez... Quisera sua nudez translúcida, nus de corpo, que iluminado ilumina, unificado unifica transcendido, transcende, em lava ardente de amor.




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