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Eu-tu

Atualizado: 2 de dez. de 2023


Luis Felipe Lins

Me seguro na água que tomo,

Num copo que esvazia dentro a fora do meu eu.

É assim que liquefeita escorro e me socorro

ao abrigo das sombras rendadas de um flamboyant...

(Tardes burguesas, coração aflito. É tudo heras, eras... idos jardins)

Eras tu quem me faltava conjugar

Pra me falar e eu saber que não sou única,

avassaladora alma, egóico mundo.

Eu, compreensão que absorvo e transmuto,

me aproprio, e exproprio, no mais pio desejo

de alcançar e alcançar e alcançar...

Isto é o meu-tu!

Águas cristalinas, vapor de abismos,

abaixo e acima, neblinas meninas,

chuvas espessas, temporal de verão...

eu reverencio o cio da terra: Sejas!

No mais profundo azul do céu que vejo,

no abissal espírito de fogo, coração da terra,

é meu barco em ossos, e músculos e carne,

que navega e me faz fértil de desejo,

neste chão de argila, ancestral nave espacial,

terra azul.


E és tu, espírito inquieto, eu-tu,

que te imprimes nos meus olhos,

íris incandescente, ardente inspirar e expirar,

e te transmutas em dragão, num coração de sangue,

oh, água doce que sorvo, água salina que devolvo

menina dos teus olhos, e me faço eu!

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