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Clamor insano

Atualizado: 3 de dez. de 2023


Viktor Avdeev na Unsplash - tráfego

Leia o post Meia hora de escrita por dia


Estou cansada. Não quero escrever baixaria, nem dores lancinantes. Isto me puxa mais para baixo, até os infernos. E lembro que alguém um dia o lerá. E talvez eu possa estar arrastando alguém para este poço também. Se fosse só comigo eu iria adiante. Mas ninguém escreve só para si mesmo, a menos que delete logo após, ou rasgue, se escrito à mão num papel.


Estou com sono e quero dormir. Faz uns 10 dias ou mais que me proponho ver Netflix. Mas quando chega o momento nunca acho que é o momento. Talvez seja uma voz que vai além do que é momento. Faça isto! Faça aquilo! Agora vá deitar! Reze! Não Reze! Você vai se sentir melhor! Vá lá! Fique calado! Esperneie! Seja dócil. Pense em você! Não Pense em você! Sente-se em silêncio total! Conte-me tudo! Medite. Respire. Pare de murmurar! Agora chore. Agora pare de chorar! Vá comer no shopping. Alimento saudável? Quero Coca-Cola! Compre um sapato novo. Arrume seu roupeiro. Grite. Silêncio! Vá caminhar. Descanse. Vá de UBER!

Escuto um barulho de pneu freando. Parece um grito desesperado e repentino de um cão atropelado. Ou de uma mulher horrorizada. Ou de alguém que está sendo assaltado. Ou do meu próprio ego acorrentado ao dever de se auto imolar. Sinto o ventinho fresco da noite jovem, que há pouco começou, e me chama sussurrando pela janela do quarto, que em um quarto de hora se fechou.


escrito em 27/11/22







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