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  • Foto do escritorirenegenecco

Filo genético

Atualizado: 15 de fev.


Gosto de chuva, mar e céu. Gosto das forças todas da natureza em mim e além de mim. Gosto de bichos, todos, ou quase. Com asa, com patas, que voa, que galopa, que rasteja, que Deus me proteja da cobra, mas também tem sua beleza.


O cavalo, por exemplo, me é símbolo de força e liberdade. No potro selvagem, vejo a fúria magnífica com que expulsa seus medos de ser aprisionado. Mas a doma humana, quando respeita este instinto sagrado no animal, e em si mesmo, demonstra o milagre da fusão entre racional e irracional. Ambos ganham, quando em equilíbrio ajustado. No animal domesticado vemos a doçura da confiança e da entrega, bem diferente de submissão. A palavra "domesticar" contem em sua raiz "dom" - Senhor. E vem dEle todo o aprendizado libertador. A troca de diferentes linguagens aproxima e funde sentimentos, em todas as esferas.


As aves, doutro filo, mas certamente não de outro feeling, me encantam de igual modo. Pégaso, então, é perfeito! Bendita expressão humana de seus mitos e medos... Mas, nem tanto ao céu e nem tanto ao mar, observo um humilde canarinho, apenas. Um canário preso na gaiola expressa sua agonia de não poder voar, cantando. Seu canto profundamente agudo, sonoro e harmonioso, são suas asas para a liberdade. A natureza nos ensina tudo, e em tudo nos basta a sensibilidade, que é a inteligência da alma. É ela que ilumina e unifica nosso corpo. E Deus me deu isto, transcendente a qualquer limitação física.

Tenho sensibilidade nos 5 sentidos, e em muitos outros, que a contabilidade científica ainda não computou, nem nunca vai computar. “O que é essencial é invisível para os olhos”... Isto é um luxo! Agradeço a Deus por me criar pele de cristal. Sei da profundidade com que Ele me agraciou, e abomino falsa modéstia. É impossível a quem reconhece o milagre da natureza, além dos limites do seu corpo, não reconhece-lo em si mesmo, uma vez que somos cosmicamente unificados à vida.

Entretanto, por ver a natureza como Graça divina, apesar da verdade cristalina de que “tudo é vaidade debaixo do sol”, me acredito em salvaguarda deste veneno, na medida do possível humano, suficientemente em paz com a humildade que dignifica e liberta. Daí volto ao canário, tão significativo em sua gaiola, quanto cada um de nós na sua. Me volto à sua liberdade de alma, pois nem só de pão vive o homem, nem a mulher...

O medo é uma corrente gigantesca. Mas o canário já não o tem mais. O aprisionamento sofrido por forças que vão além dele próprio deram-lhe um novo berço, praga da civilização, chamado zona de conforto. Se a porta se abre para grandes vôos, não se sabe o que fazer. Mas como Deus tudo prevê, embora os gens do corpo possam ser modificados, os da alma não. Esta praga não alcança a alma. A agonia nos mantem inquietos, insatisfeitos, não obstante nossas vãs tentativas de esquecer nossas origens, e nos fazermos apenas coisas entre as coisas. E cantamos, dançamos, rimos e choramos, e enlouquecemos...

O medo, como no potro e em qualquer outra vida, é proteção contra predadores, e não é à toa que se encontra mergulhado na zona límbica, mais primitiva do cérebro. Precisamos percorrer um caminho inicial ao seu abrigo, até que encontremos a luz que não se apaga. Esta é, enfim, a liberdade!

A palavra animal significa que existe uma chama, uma força que impulsiona parte da vida inanimada, sem vontade própria, e que ali se abriga. Acredito que os vegetais também tem “ânima”, e até os átomos, principalmente. É que Aristóteles, quando fez sua classificação, ainda não sabia disto. Não teve o privilégio de ver um turbilhão de átomos se atraindo e se repudiando...

Quanto ao medo, muitos medos, resquícios da infância, ainda habitam em meus porões e mostram a cara pela janelinha, para respirar. Mas muitos outros foram metabolizados pelo amargor da bílis do dia-a-dia, me fazendo nova criatura. Bom mesmo é que a gaiola do meu corpo me permite filtrar pelos poros, me evadir, numa ode à alegria. Eu, a cobra, o potro, e o canário...

Adendo - Amo os bichos, mas barata ainda não. E se Deus me fez assim, quem sou eu para querer mudar?



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