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  • Foto do escritorirenegenecco

COM DOMÍNIO

Atualizado: 2 de fev.


Foto de Alice Alinari na Unsplash

Fico presa na grade da área, debruçada sobre um som.

Algo em mim desmancha, esfarela e se faz pó.

Voa, domingo a fora, pelos corredores em sombra,

junto aos bem-te-vis, beija-flores e pardais.

Uma música antiga flutua com o vento.

No jardim, um homem e uma menina examinam uma flor.

Mas é o pinheiro enorme que me toma e me fascina.

Estremece, revolta-se, sacode e esbraveja contra os céus,

- tufos escabelados pelo vento que se engolfa entre os prédios.

É fúria esvoaçante e também tronco inamovível de raízes fundas.

E é este contraste absurdo que me encanta.

Ah, como eu queria ser o doido rodopiar daqueles acúleos

verde-escuros, varridos pelo vendaval, iluminados pelo sol,

sem passado, presente nem futuro.

Roubar o selo vegetal dado por Deus, e fazê-lo meu,

na minha humana carne, híbrida mulher verde,

absurda e louca, condenada ao espanto e ao encanto de viver.

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