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Sobre o Escrever

Atualizado: 3 de jun. de 2023


Jaredd Craig na Unsplash - paredes de livros

Este post é o primeiro, que precede todos os demais que vierem a caber no seu teor. Os posts subsequentes terão uma observação, para quem ainda não leu este, e desejar fazê-lo: "Leia o post SOBRE O ESCREVER".


Escritor e Leitor, um casamento indissolúvel

A literatura, à medida que você adentra, ajuda a sacudir um pouco o pó que turva o olhar em meio à opressão de um sistema que nos exige corpo e alma. Um cenário antropofágico do “tenho que” nos rouba o protagonismo, e o senso de alteridade. Somos todos atores, porém no palco da vida nenhum ator é secundário. Vamos descobrindo que, pela arte de refletir e questionar, as coisas ganham alma, como num sopro divino. Refletir e questionar compõem a dinâmica, tanto do escritor quanto do leitor, que são inseparáveis, um não existe sem o outro.


Todo o escritor quer ser lido. Todo o leitor quer se encontrar no que lê. É questão de identidade, para ambos. Num livro, você pode se encontrar em sonhos, ficção e realidade, música, abstrações, e claro, alguma loucura, no solo fértil da inspiração em amor e vivências humanas. O enredo de uma história que não é a sua, embora possa nela encontrar muitas coincidências, apazigua as aflições.


Para mim, escrever significa harmonizar certas contradições e encontrar um certo alívio. Podem ser pensamentos e sentimentos vividos e escritos ao longo de um tempo considerável, numa rotina rasa, num vai-e-vem em lotações, ônibus, metrô, taxi, cumprindo obrigações sufocantes mas inadiáveis. A escrita pode vir apenas de uma caminhada para desanuviar o estresse. Caminhar me alivia o sentimento de culpa por estar engordando, principalmente num recém amenizado período de uma pandemia. O sentir-se culpado por banalidades não é privilégio dos escritores, tão pouco dos leitores. No escrever e/ou no ler acedemos a um espaço coletivo de ser ao qual nos sentimos pertencendo, na dor ou na alegria, e é isto o que nos alivia de sucumbirmos nas armadilhas da crítica, do julgamento e das condenações, sejam contra nós mesmos ou contra o outro.

Tenho ouvido muito sobre a afirmação convicta de que ler bastante ajuda a ter uma boa escrita. Acredito que sim, mas no quesito técnico quanto a gênero, linguajar, soltura na fala, estilo, e outros tais. Mas a semente da inspiração está no ato de viver, na simplicidade do dia a dia, ou em condições ímpares. Não é dominando a teoria da escrita que teremos uma boa prática. O brotar da fala literária cativante precisa do adubo, ou do fertilizante da experiência própria dos impactos da beleza, ou da feiura, da tristeza, do desamparo, da plenitude ou da solidão, e daquele silêncio que brota do nosso espanto, diante do inusitado do viver. É daí que os pensamentos e sentimentos jorram aos borbotões, alinhados ou não com as regras da escrita. E é missão do escritor organizá-los ou desorganizá-los, para o espanto e emoção do leitor.





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