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A paixão por escrever

Atualizado: 3 de jun. de 2023


Dan Farrell na Unsplash

"Leia o post SOBRE O ESCREVER".


Viajar é bom, em todos os âmbitos, e só nos faz crescer. Seja a viagem que nos desloca no tempo e no espaço físico, seja a viagem de mergulho no imensurável abstrato das emoções. Esta, nos permite adentrar no indizível do sentir, e formatar em palavras o que mais intraduzível se nos mostra. Adentrar desprevenido nesta dimensão volátil da emoção muitas vezes machuca, mas em outras vezes cura. A empatia que brota espontânea nestes percursos, concretos ou abstratos, ajuda a curar, pois reconhecemo-nos na nossa fragilidade, e nos fundimos no humano. A escrita pode ser nutrida de situações concretas, resultantes da vida comum, como por exemplo o impacto da internet e das redes sociais na ‘geração passada’. Encontram-se ainda os devaneios, supridos e soprados no dia a dia em lotações, ônibus, trens, e também algumas caminhadas. Também pode provir de situações ímpares que nos surpreendem às vezes com o inesperado e incontrolável fluxo da vida. É quando a mente dilui barreiras e limites entre o que é e o que não é, na banalidade da rotina, e flui o visível e o invisível, dizível e indizível, permitindo-nos fundir realidade e fantasia, num âmbito mais volátil, ou metafísico.


Escrever objetiva-se na construção do imponderável, e às vezes até absurdo, da condição humana de capturar a concretude e dar-lhe asas no seu imaginário. Configura-se em sonhos, ficção e realidade, música, abstrações, e claro, alguma loucura, no solo fértil da inspiração, revelando tesouros incalculáveis em amor e vivências humanas. A escrita pode ser mais voltada a um público que gosta de linguagem simples, mas nem por isto rasa ou superficial. Mas a paixão pelo ato de escrever faz toda a diferença.

Acredito que a paixão é o ímpeto da Arte, e esta da vida.


Expressar-se num despertar artístico converte-se numa catarse do espírito. Viver o imaginado em palavras inspiradas e tecidas no ato de escrever é terapêutico, nesta torrente nada original de mesmice que o sistema nos impõe, ou que a ele nos submetemos, às vezes tão conformadamente. Palavras, na arte de escrever, são harmonia de sons e ideias e têm um tanto de similitude com a música, que também ensina a respirar em harmonia com a vida. Ritmo é fundamental, ou seja, precisa respeitar o “cada coisa a seu tempo”.


Precisamos reconstituir um cenário imposto por um sistema que rouba o protagonismo do ator, por um novo fundo, onde possamos ser figura, protagonista ou não, bastando que este desempenho resulte de nossas escolhas conscientes. No palco da vida, nenhum ator é secundário. Apaixonar-se pelo que se faz traz à tona o que se tem de melhor. É a esperança de que é possível a concretude do espírito, mas sem o peso e a finitude a que humanamente isto se reduz. A beleza não são as coisas em si, tantas vezes secas e vazias, reduzidas a palavras insípidas, mas o que brota do nosso encontro com a vida. Não há vida sem arte, nem arte sem vida. O que apaixona, em qualquer atividade, e que dá gosto de viver, é o ato de criar. Dar Vida à vida.


O falso apaixonar-se já nasce acorrentado. Saída que nos impomos, para tentar calar a súplica da alma por liberdade, impondo-nos uma rotina estéril. Expressa-se à meia boca, nunca por inteiro, agrilhoado ao “tenho que”. Mesmo assim, talvez seja melhor do que nada. Mas sentimento intenso, contido de contínuo, periga romper as comportas, inundar a razão e seus arrazoados, e levá-los a escoar para o ralo da morte em vida. É com isto que uma alma aprisionada ao pré-determinado sonha dia e noite: voar pelas asas da paixão, livre, leve e solta. Seja no urbano, cotidiano, ou em qualquer plano, em que nossa infinitude possa manifestar-se.


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